Pular para o conteúdo principal

Por que deixamos nossos pés presos dentro de um calçado?

Resultado de imagem para pés calçados


O pé humano é uma obra-prima da evolução, muito mais funcional do que se costuma reconhecer. Então por que nós o fechamos dentro de uma prisão que bloqueia boa parte de sua habilidade natural, e pode abacar criando mais problemas do que resolve?

Nem sempre foi assim. Nossos ancestrais andaram basicamente descalços por cerca de 2 milhões de anos, e seus pés sem sapatos lhes serviram muito bem. Há indícios que sugerem que os primeiros humanos caçavam perseguindo suas presas até a exaustão, e depois batiam nos pobres animais até eles morrerem. Desde muito cedo, de acordo com Daniel Lieberman, um professor de biologia evolutiva humana em Harvard, os pés humanos desenvolveram determinadas características,
como por exemplo o tendão de Aquiles e o dedinho do pé, que nos tornaram excelentes corredores de longas distâncias.

Os humanos começaram a usar calçados entre 26 mil e 40 mil anos atrás, de acordo com algumas estimativas, mas eram sapatos de fato muito rudimentares, em geral feitos de peles de animais ou de matéria vegetal. foi somente no século 20, com o nascimento da indústria moderna de tênis, que nós nos convencemos de que nossos pés precisavam de muito suporte extra só para executar tarefas básicas como correr e andar.


Resultado de imagem para pés

Os calçados de hoje muitas vezes têm solas consideráveis, além de amortecimento volumoso na frente e atrás. Eles têm o que se chama de ''biqueira toe box'', que, estranhamente, não costuma ter mesmo formato de nossos dedões. Todo esse esforço levou os críticos a concluírem que muitos sapatos são, no mínimo, um apêndice antinatural e, na pior das hipóteses, ruins para saúde.

A pesquisa de Lieberman, da forma como ele descreve, sugere que as pessoas que usam sapato raramente têm pé chato; elas também têm índices significativamente mais baixos de artrite em comparação com as pessoas que usam, ''Isso não significa que essas pessoas não tenham problemas, é claro que elas têm'', diz Lieberman, ''Mas elas têm menos problemas, aparentemente, nos pés, nos joelhos e possivelmente nos quadris''.

Da mesma forma, Irene Davis, uma professora de medicina física  e reabilitação na Faculdade de Medicina de Harvard, cita um estudo realizado no Brasil que mostra que mulheres com osteoartrose no joelho se saíam bem melhor quando usam um sapato mais básico (barato e bastante flexível) em vez de um sapato com amortecimento.

Davis e Lieberman suspeitam que essas descobertas reflitam o imenso impacto que a saúde dos pés tem sobre o resto do corpo, e também a forma com que os sapatos alteram fundamentalmente a forma como nos movimentamos. Os humanos evoluíram para correr sobre a bola no pé, mas o uso do tênis tende a nos fazer correr nos nossos calcanhares. O amortecimento de nossos tênis altamente tecnológicos torna isso indolor.

Contudo, de acordo com Davis, corres sobre nossos calcanhares pode causa '' uma cascata de acontecimentos'' em todas nossas extremidades baixas, afetando nossos pés, joelhos e quadris. Lieberman acredita que ''quando você tem problemas nos pés, muitas vezes eles causam problemas nos joelhos, que causam problemas nos quadris. Nós temos, por exemplo, uma epidemia de osteoartrose hoje. Um fator que contribui para a artrite pode ser o sapato que usamos. É uma das hipóteses.

Antes de jogar fora seu Nike ou Timberland, é importante falar o óbvio: boa parte de nossos calçados foram desenvolvidos para nos proteger de danos reais, como gelo ou neve derretida nas ruas das cidades ou paus e pedras no chão das florestas. E, à parte todas as razões práticas, nós gostamos muito de nossos sapatos como expressão da moda, marcadores de status e símbolos individualidade.

Então, embora os sapatos possam em alguns casos ter se excedido, falando tecnicamente, eles não podem simplesmente ser considerados como invenção tola e inútil.

O que é tolice, pelo menos para Davis, é que no que diz respeito ao calçado básico                               --os tênis que simplesmente nos ajudam a andar e correr por aí -- nós permitimos que a tecnologia do calçado em si ofuscasse a tecnologia quase perfeita de nossos próprios pés, que são altamente evoluídos: ''Estamos acrescentando amortecimento quando nossos músculos podem fazer esse amortecimento. Estamos acrescentando controle de movimento quando nós podemos controlar nossos pés com os músculos que temos em todos os movimentos que temos. Ao fazermos isso, estamos na verdade estorvando nossos pés''.








FONTE:https://noticias.uol.com.br/midiaglobal/freakonomics/2017/08/18/por-que-deixamos-nossos-pes-presos-dentro-de-um-calcado.htm

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entenda como funciona a busca do equilíbrio entre razão e emoção

O Controle Emocional é a habilidade de lidar com os próprios sentimentos, adaptando-os conforme a situação e expressando-os de maneira saudável para si e para o grupo no qual está inserido. O equilíbrio entre razão e  emoção  é o caminho mais adequado. Os excessos costumam trazer consequências prejudiciais às pessoas. A razão excessiva faz com que o sujeito vivencie e expresse pouco suas emoções, absorvendo para si toda a carga emotiva. A pessoa mais sensível, que explicita seus sentimentos com facilidade, age por impulso e gera situações sociais desconfortáveis. O conhecimento das emoções e sentimentos do sujeito, bem como, dos limites suportados é um primeiro passo para a busca do  equilíbrio emocional . Lidar com a emoção e a razão em proporções que levam o sujeito a colocar-se de modo saudável diante das circunstâncias vividas poderá trazer um modo de vida estruturado, adequado à sociedade e, principalmente, saudável para si mesmo. Uma pessoa que é tomad...

Você e seu celular: quem está dominando quem?

Observe as pessoas no metrô, nos ônibus, nos restaurantes, na rua e em todos os lugares por onde você estiver. Tem sempre alguém olhando o celular.  Há quem não consiga dormir sem se desligar do celular, que fica na mesinha ao lado ou embaixo do travesseiro. Qualquer “plim” é motivo para abrir o olho, com a preocupação de deixar passar alguma coisa. O mundo contemporâneo nos faz estar conectados a maior parte do tempo. Sabemos de tudo o que se passa com a família, com os amigos e com o mundo, em tempo real, pelos nossos aparelhinhos mágicos e personalizados por “capinhas- roupinhas” cuidadosamente escolhidas. Esquecer o celular em casa é motivo de intenso desconforto, mau humor e insegurança. Perder o celular, então, é quase motivo de desespero. Agendas, contatos, mensagens, fotos, aplicativos...tudo o que faz a alegria das pessoas antenadas também se perde. Como se a própria vida se perdesse um pouco também. Crianças ganham celulares cada vez mais cedo. Aos 7 anos d...

Número de refugiados reconhecidos sobe 12% no Brasil em 2016

Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil O número de refugiados reconhecidos no país aumentou 12% no país, em 2016, chegando a 9.552 pessoas de 82 nacionalidades.  Os dados acumulados entre 2010 e 2016  foram divulgados hoje (20) pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para marcar o Dia Mundial do Refugiado.  Do total de refugiados no país, 8.522 foram reconhecidos por vias tradicionais de elegibilidade, 713 chegaram ao Brasil por meio de reassentamento e a 317 foram estendidos os efeitos da condição de refugiado de algum familiar. Os países com maior número de refugiados reconhecidos no Brasil em 2016 foram Síria (326), República Democrática do Congo (189), Paquistão (98), Palestina (57) e Angola (26). Os pedidos de refúgio, segundo o Conare, caíram 64% em 2016, em comparação com 2015, sobretudo em decorrência da diminuição das solicitações de haitianos. Os países com maior número de solicitantes d...